13.12.08

Nostálgicos por natureza

 

É com a idade que a nostalgia vem. De mansinho e sem avisar, prega-nos uma surpresa. O embrulho tem uma mensagem clara: o tempo está a contar.

Presente envenenado que vai determinar a angústia pelo tempo que nos acompanha fielmente. Lutar contra o tempo? A resposta é: braço de ferro perdido à partida. Mas há que vasculhar o possível contorno da situação. Se a dado momento a nossas forças cedem ao poder temporal, de que vale prolongar o conflito? Prolongar não é o ideal, desfrutar sim. O real desfrute e não a ilusão de desfrute. Ou melhor, se a ilusão traz satisfação, porque não? Não será assim tão relevante a veracidade e a autenticidade se ao fim ao cabo o que conta é o resultado final – felicidade. Ser feliz não como nos contos de fadas. Fragmentos. Ser feliz permanentemente não está ao alcance do comum ser humano.

As recordações criam a nossa identidade, o presente molda-a e é o futuro que a vai alterar, mais ou menos mediante as circunstâncias. O ideal será um pé a levantar do passado sem o abandonar, concentração no presente para assistir à modelagem, e um olho no futuro para ver o que aí espreita.

O tic-tac mental a cada aniversário que passa, a cada partida de um ente querido... Está lá, sempre a lembrar que a fronteira não é definida por nós. O homem subordinado à contagem decrescente.

“Recordar é viver”. Não, recordar é reviver! Só se vive uma vez e é precisamente por isso que sentimos necessidade de voltar a olhar para o passado. Precisamos de tomar os maus exemplos como cenas a não repetir nos próximos capítulos e agarrarmo-nos aos bons momentos para encontrar alento mesmo na pior das circunstâncias. Os recalcamentos atenuam ou desviam do consciente aquilo que não queremos reviver, fica o que de melhor há para salientar. O passado torna-se um vício! É esse vício que alimenta a vida de muitos nós.

 Se por um lado é mau mantermo-nos na ilusão, que outra forma teríamos de esquecer aquilo com que o presente nos presenteia? Se o presente for um mar de rosas, então o passado perde o posto de refúgio. E se nem um nem outro conquistarem o estatuto de memorável, há sempre a hipótese de nos centrarmos no futuro. Três possibilidades, nenhuma escolhida ao acaso. Ansiar por alguma coisa que represente a luz ao fundo do túnel, típico do ser humano.

publicado por Burguesinhas às 01:26

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